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New York Times | Morte de ganhador da Mega: polícia prende 3º suspeito de participação no crime

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O que se sabe sobre a morte do ganhador da Mega-Sena no interior de SP

Quem são os suspeitos

As investigações conduzidas apontaram três homens e uma mulher como suspeitos de envolvimento na morte de Jonas. Dois foram presos, e os outros seguem foragidos

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Eleições Mega-Sena Massacre no Carandiru Gás mais barato Melhores pizzarias do mundo Morte de ganhador da Mega: polícia prende 3º suspeito de participação no crime Roberto Jefferson da Silva se apresentou na sede da Deic nesta sexta; mais cedo, polícia divulgou imagens dele e Rebeca em uma agência bancária horas depois que Jonas Lucas, ganhador de R$ 47 milhões na loteria, morreu em Hortolândia. Por g1 Campinas e região

23/09/2022 18h26 Atualizado 23/09/2022

1 de 8 Roberto Jefferson da Silva, conhecido como Gordão, preso suspeito de participação na morte do ganhador da Mega-Sena em Hortolândia (SP) — Foto: Polícia Civil/Divulgação Roberto Jefferson da Silva, conhecido como Gordão, preso suspeito de participação na morte do ganhador da Mega-Sena em Hortolândia (SP) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira (23) Roberto Jefferson da Silva, conhecido como Gordão, suspeito de participação na morte de Jonas Lucas Alves Dias, de 55 anos, ganhador de R$ 47,1 milhões na Mega-Sena em 2020 . É o terceiro investigado pelo crime preso – Marcos Vinicyus Sales de Oliveira segue foragido.

A delegada Juliana Ricci, titular da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) Piracicaba , informou que o suspeito se apresentou na sede da Deic acompanhado dos advogados. Segundo a Polícia Civil, ele negou paricipação no sequestro e morte de Jonas Lucas.

Mais cedo, a Polícia Civil divulgou imagem de Gordão ao lado de Rebeca, que já havia sido presa, no dia em que o milionário morreu. As imagens mostram os dois em um agência bancária de Santa Bárbara d'Oeste (SP) por volta das 14h do dia 14 de setembro.

2 de 8 Imagem da câmera de segurança de banco mostra Rebeca e Gordão no dia em que o ganhador da Mega-Sena morreu em Hortolândia (SP) — Foto: Polícia Civil/Divulgação Imagem da câmera de segurança de banco mostra Rebeca e Gordão no dia em que o ganhador da Mega-Sena morreu em Hortolândia (SP) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Segundo a investigação, foi para uma conta no nome de Rebeca que os suspeitos transferiram parte do dinheiro da vítima.

A equipe da Deic trabalha para localizar e prender outro suspeito: Marcos Vinicyus Sales de Oliveira. Qualquer informação sobre o investigado pode ser fornecida pelo telefone (19) 3421-6169 . “Garantimos sigilo absoluto”, destacou a delegada.

3 de 8 Marcos Vinicyus Sales de Oliveira, suspeito de participação na morte do ganhador da Mega-Sena, e que segue foragido — Foto: Polícia Civil/Divulgação Marcos Vinicyus Sales de Oliveira, suspeito de participação na morte do ganhador da Mega-Sena, e que segue foragido — Foto: Polícia Civil/Divulgação

O crime

Segundo a investigação, tudo indica que os criminosos tinham conhecimento da situação financeira de Jonas Lucas, mas a vítima não os conhecia. Antes mesmo das prisões, Polícia Civil já havia afirmado que a morte foi motivada pelo prêmio da Mega-Sena, pago em 2020.

A advogada da família relatou à polícia que Jonas Lucas saiu de casa na manhã dia 13 de setembro e levou somente a carteira e documentos para a caminhada. Ao final do dia, como não foi mais possível contatá-lo, familiares registraram ocorrência de desaparecimento na delegacia eletrônica.

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Jonas foi socorrido na manhã do dia seguinte às margens da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) e apresentava sinais de espancamento. Ele foi levado pelo resgate da concessionária AutoBAn ao Hospital Mário Covas, mas não resistiu.

Estima-se que a vítima ficou cerca de 20 horas em poder dos criminosos , que retiraram R$ 20,6 mil de sua conta, por saques e PIX , antes de ele ser abandonado na Rodovia dos Bandeirantes. Durante o período em que esteve desparecido, os criminosos chegaram a tentar uma transferência de R$ 3 milhões, sem sucesso.

O médico da unidade que atendeu Jonas Lucas atestou traumatismo cranioencefálico como causa da morte.

Imagens e áudios

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Áudios obtidos pelo Fantástico mostram pedidos de Jonas Lucas para que a gerente de seu banco liberasse uma transferência R$ 3 milhões a partir de sua conta (ouça no vídeo acima) .

Os pedidos foram feitos quando ele já tinha sido sequestrado e estava sob o poder de uma quadrilha, que tentava extorquir dinheiro da vítima. Dois criminosos já foram presos e outros dois estão foragidos.

“Não chegou nada do comprovante, consegue agilizar isso pra mim?”, diz Jonas em uma das mensagens de áudio. “Tô aqui na fazenda, preciso fechar isso aqui hoje”, afirma, em outro momento.

A delegada Juliana Ricci disse que a transferência foi negada porque “o valor era irreal”.

“Ele estava subjugado, disso nós temos certeza. Pede transferência bancária, que obviamente foi negada porque o valor era irreal para ser transferido sem ser presencialmente”, disse Ricci.

Novas imagens divulgadas pelo Fantástico também detalham o trajeto de Jonas antes de ser sequestrado pelo grupo.

Irmãos escondidos

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Os irmãos de Jonas Lucas deixaram a casa em que moravam no Jardim Rosolém após o crime e estão “escondidos”, segundo um amigo da vítima.

Jonas foi velado e sepultado na última sexta-feira (16), em evento restrito que reuniu cerca de 50 pessoas, entre amigos e familiares. Um ônibus chegou a levar vizinhos para a cerimônia . O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, em Sumaré (SP) .

“Depois do velório, não vi mais, não tenho notícia. Eles [irmãos] estão presos, e os bandidos estão soltos. São pessoas simples e estão escondidas. Que resolva o caso mais rápido possível. Nem se souber (o local), vou falar”, disse.

Segundo a delegada Juliana Ricci, o ganhador da Mega-Sena tinha um núcleo familiar pequeno e restrito, uma vez que não era casado nem tinha filhos, morava apenas com os irmãos e os pais já tinham falecido.

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Conselho de amigos

Um amigo de Jonas Lucas contou ao g1 que várias pessoas aconselharam “Luquinha“, como a vítima era conhecida, a mudar de rotina e sair do bairro depois de virar milionário . Uma das aplicações que fez com o dinheiro foi reformar a residência que dividia com os irmãos, mas nada de luxo.

Segundo o homem, que preferiu não ter a identidade revelada, Luquinha nunca quis sair do Jardim Rosolém e acreditava que nada aconteceria.

“'Muda de lugar, Luquinha, vai para um condomínio fechado, muda a rotina'. Ele nunca quis”, recorda.

De hábitos simples, Jonas Lucas saía de casa todos os dias entre 5h30 e 6h e seguia até uma padaria do bairro. Na manhã do dia 13, acabou sequestrado, extorquido e espancado.

O que se sabe sobre a morte do ganhador da Mega-Sena no interior de SP

Quem são os suspeitos

As investigações conduzidas apontaram três homens e uma mulher como suspeitos de envolvimento na morte de Jonas. Dois foram presos, e os outros seguem foragidos.

Veja, abaixo, o que se sabe sobre cada um dos suspeitos:

Rogério de Almeida Spínola (48 anos) – preso Rebeca (24 anos) – presa Marcos Vinicyus Sales de Oliveira (22 anos) – foragido Roberto Jeferson da Silva, o Gordo (38 anos) – preso

Rogério de Almeida Spínola

4 de 8 Rogério Spínola, de 48 anos, foi preso por participação na morte de ganhador da Mega-Sena em Hortolândia — Foto: Polícia Civil Rogério Spínola, de 48 anos, foi preso por participação na morte de ganhador da Mega-Sena em Hortolândia — Foto: Polícia Civil

Rogério Spínola, de 48 anos, foi o primeiro preso da investigação. Segundo a delegada Juliana Ricci, ele tem uma série de passagens pela polícia por crimes como roubo, furto, homicídio, estelionato e lesão corporal.

Spínola cumpriu 15 anos de prisão e saiu da penitenciária em dezembro do ano passado. A prisão do suspeito foi feita em Santa Bárbara d'Oeste e, segundo a polícia, ele nega participação no crime.

Juliana Ricci não detalhou a participação dele no esquema, mas informou que Spínola era parceiro de outra pessoa investigada.

“Nesse momento, nós temos um rol de provas que permitiu que o Judiciário decretasse a prisão dele, mas alguns detalhes eu não posso divulgar porque mantenho a investigação”, disse Juliana, durante coletiva de imprensa no sábado (14).

Rebeca

5 de 8 Mulher identificada como Rebeca foi presa suspeita de envolvimento na morte de ganhador da Mega-SenaFoto: Rodrigo Pereira/g1 Mulher identificada como Rebeca foi presa suspeita de envolvimento na morte de ganhador da Mega-SenaFoto: Rodrigo Pereira/g1

A Guarda Municipal de Santa Bárbara d'Oeste informou que Rebeca foi presa na manhã de domingo (15) no bairro Mollon e, depois, encaminhada para a Deic de Piracicaba (SP), delegacia que concentra as investigações do caso.

Segundo Polícia Civil, foi para uma conta no nome dela que os suspeitos transferiram parte do dinheiro da vítima .

A subinspetora da Guarda Civil Municipal, Érika Traldi, afirmou que a mulher alegou ter sido “abordada” por dois homens, que a levaram até um banco e pediram para que abrisse uma conta. Rebeca passou dois apelidos dos homens e disse não saber os nomes.

Após o depoimento de Rebeca na Polícia Civil, o companheiro dela também foi levado para delegacia, onde foi ouvido e liberado.

Há a informação de que outra parte dos recursos da vítima foi transferida para um CNPJ, mas a polícia disse que não poderia dar detalhes porque as investigações estão em andamento.

Marcos Vinicyus Sales de Oliveira

6 de 8 Imagens de câmera de segurança de banco flagrou Marcos Vinicyus, segundo a polícia — Foto: Reprodução Imagens de câmera de segurança de banco flagrou Marcos Vinicyus, segundo a polícia — Foto: Reprodução

O diretor Departamento de Polícia Judiciária do Interior 9 (Deinter 9), Kleber Altale, informou que Marcos Vinicyus, conhecido como Vini, dirigia um dos dois veículos usados no crime, uma caminhonete S-10. A Justiça decretou a prisão dele, mas o suspeito não foi encontrado.

A vítima foi abordada quando saía, a pé, de uma padaria, e obrigada a entrar na caminhonete. Os criminosos usaram violência ''extrema'', segundo a polícia, para que ele informasse os dados bancários.

A delegada Juliana Ricci afirma que foi Marcos Vinicyus o responsável pelos dois saques de R$ 1 mil e pela transferência no valor de R$ 18,6 mil da conta de Jonas Lucas. O suspeito foi flagrado por câmeras de segurança em uma agência da Caixa Econômica de Campinas , onde realizou as transações.

Segundo Juliana, Marcos Vinicyus também habilitou um aplicativo de celular para conseguir realizar as movimentações financeiras. O suspeito tem passagens por estelionato e receptação e deixou o sistema penitenciário em setembro de 2021.

Roberto Jeferson da Silva

7 de 8 Roberto Jefferson da Silva, o Gordão, e Rebeca, juntos na tarde após a morte do ganhador da Mega-Sena — Foto: Polícia Civil/Divulgação Roberto Jefferson da Silva, o Gordão, e Rebeca, juntos na tarde após a morte do ganhador da Mega-Sena — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Segundo a Polícia Civil, Silva, preso na tarde desta sexta (23), é quem dirigia o Ford Fiesta preto também usado para abordar o milionário morto. A participação dele não foi detalhada pelos policiais civis. Ele não possui passagens pela polícia e segue foragido.

Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem com análise de provas colhidas nessas ações e novas quebras de sigilos bancários e telefônicos. Nenhum dos veículos usados foi localizado.

O que diz a defesa dos presos?

O advogado Fábio Costa, que representa Rogério e Rebeca, presos por suspeita de envolvimento na morte do ganhador da Mega-Sena, alega que seus clientes não tiveram envolvimento com o crime e que eles apenas cederam documentos a um dos suspeitos, que está foragido, para a prática de estelionato.

Segundo Fábio Costa, tanto Rebeca quanto Rogério estavam em situação de rua e foram atraídos pelo homem conhecido como “Gordão”, para que abrisse contas e tentasse financiamentos a partir dos documentos pessoais dessas pessoas.

“Ela (Rebeca) entregou os documentos para o Gordão há um tempo considerável para que ele abrisse umas contas no banco e ele iria pegar o dinheiro no banco, proveniente de limite, algum valor, algum crédito que o banco disponibilizasse. Ela não entregou os documentos para ele com a finalidade dele abrir uma conta para receber o dinheiro de um sequestro, de um homicídio ou uma extorsão. E o Rogério a mesma coisa”, disse o advogado.

Ainda segundo Costa, no caso de Rogério, Gordão teria tentado por diversas vezes financiar veículos no nome de seu cliente, até que conseguiu. “É um dos carros que aparece, sim, nas filmagens. O carro não foi financiado com essa finalidade. Esse Gordão tinha a finalidade de frequentar lugares onde tinha pessoas, moradores em situação de rua, e angariava os documentos para cometer o crime de estelionato”, completou.

8 de 8 Lotérica no Jd. Nova Europa, em Campinas (SP), onde Jonas Lucas fez a aposta vencedora da Mega-Sena em 2020 — Foto: Reprodução/EPTV Lotérica no Jd. Nova Europa, em Campinas (SP), onde Jonas Lucas fez a aposta vencedora da Mega-Sena em 2020 — Foto: Reprodução/EPTV

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