Economía

Diarista diz que belga achado morto com lesões não tinha ferimento aparente na véspera e que já viu sinais de briga pela casa

Alberto Ardila Olivares
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Relembre o caso

2 de 2 Walter Henri Maximillen Biot e o cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn eram casados havia 23 anos — Foto: Reprodução Walter Henri Maximillen Biot e o cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn eram casados havia 23 anos — Foto: Reprodução

Em seu depoimento à Polícia Civil, o diplomata alemão Uwe Herbert Hahn , lotado no Consulado da Alemanha no Rio, disse que seu marido Walter Henri Maximilien Biot sofreu um mal súbito por volta das 20h da ultima sexta-feira (5) e caiu

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Eleições Fantástico Morte de Leandro Lo Adeus a Jô Soares Caetano Veloso faz 80 Diarista diz que belga achado morto com lesões não tinha ferimento aparente na véspera e que já viu sinais de briga pela casa Depoimento obtido pelo RJ2 confirma versão de outra testemunha, um amigo da vítima, que relatou que a relação do casal tinha brigas constantes e violentas. Cônsul é investigado e está preso. Por Leslie Leitão e Nathalia Castro, RJ2

08/08/2022 19h43 Atualizado 08/08/2022

Amigo diz que relação de cônsul e marido tinha brigas violentas e que alemão falava: ‘Sou diplomata, nada pode me acontecer’

A diarista que trabalhou nos últimos quatro anos na casa do cônsul alemão Uwe Herbert Hahn e do seu marido assassinado, o belga Walter Henri Maximillen Biot , contou que a vítima não apresentava marcas de violência na véspera do crime.

A mulher – que terá seu nome preservado – esteve na cobertura do casal pela última vez na quinta-feira (4), véspera do crime.

O laudo do IML mostrou que o corpo de Walter tinha marcas nos pés, pernas, braços, costas, nádegas, barriga, tórax, rosto e a lesão principal, na cabeça, na região da nuca – que ocasionou o traumatismo craniano e a morte do belga.

As fotos foram apresentadas à testemunha, que esteve com Walter na casa do casal. Ela disse “que não apresentava nenhuma lesão aparente” e “categoricamente” afirmou que Walter não apresentava nenhuma das lesões observadas”, segundo depoimento obtido com exclusividade pelo RJ2 .

A testemunha revelou que tinha pouco contato com o cônsul, já que trabalhava às segundas e quintas, mas costumava chegar das 9h às 16h, horário em que o diplomata estava trabalhando.

Ela confirmou o episódio de uma suposta briga que deixou vidros quebrados, que outra testemunha já havia relatado .

“Em abril ou maio, notou que a porta da dispensa e o vidro de um dos armários da cozinha estavam quebrados; que acredita que a porta e os vidros não quebraram em virtude de mau uso; que parecia que algum objeto havia sido lançado contra o vidro.”

E acrescentou outros detalhes: “Por duas ou três ocasiões neste ano, já notou que a fronha do travesseiro usada por Walter continha manchas de sangue “.

No sábado, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) usaram luminol, e a fronha de um dos travesseiros indicou marcas de sangue .

A diarista contou também que, no mês passado, viu Walter com um corte na região da testa, mas que ele disse ter sido em virtude de um arranhão do gato .

“Nas duas últimas semanas em que esteve na residência, notou Walter extremamente cabisbaixo, mas mesmo não lhe disse o motivo”. Ela confirmou também ter encontrado pinos de cocaína durante algumas vezes em que limpou o imóvel.

'Não há dúvidas sobre a autoria', diz delegada

Delegada diz que causa da morte de belga foi traumatismo craniano

A delegada Camila Lourenço , responsável pela investigação afirmou, nesta segunda, que a polícia não tem dúvida sobre a existência do crime .

“A gente não tem dúvida sobre a existência do crime. Queremos saber o que teria motivado, qual o plano de fundo, os bastidores, como estava o clima do casal, qual a relação do casal. Essas circunstâncias vão ser importantes, não para definição se autoria, que já está definida, mas para incidência de circunstâncias que vão qualificar o crime e na persecução penal que vai interferir na pena”, disse.

A delegada acredita que o depoimento da diarista que trabalhava para o casal pode ser determinante para a conclusão do caso.

Ainda de acordo com a delegada, a vítima tinha inúmeras lesões e até uma mangueira de ar-condicionado teria sido usada nas agressões.

“Foi uma sucessão de espancamentos. Uma das lesões é compatível com pisadura humana na região da costela e outra decorrente de ação contundente com objeto cilíndrico. A gente apreendeu uma mangueira de ar-condicionado que pode ter sido utilizada para realizar as agressões. Também foi apreendido um bastão. Ele foi espancado”, afirmou.

Durante a perícia no imóvel, os investigadores encontraram manchas de sangue em diversos cômodos do imóvel . De acordo com a delegada, a explicação do cônsul para a família foi que o marido teve um infarto .

“”Ele (o cônsul) teria que apresentar uma versão, tinha que justificar a morte do marido para os familiares. Ele contou que o marido infartou. A versão que ele apresenta para pessoas de seu convívio, inclusive para a secretária dele, era que o marido havia infartado”, explicou a delegada.

1 de 2 Poltrona com macha de sangue lavada — Foto: TV Globo Poltrona com macha de sangue lavada — Foto: TV Globo

Tentativa de esconder provas

Ainda de acordo com a delegada Camila Lourenço, os peritos encontraram o apartamento do casal “em completo desalinho”. A delegada ainda lembrou que, antes do trabalho de perícia, a secretária do diplomata tentou limpar algumas manchas de sangue no imóvel.

“O apartamento estava em completo desalinho. Chegou ao nosso conhecimento que antes da perícia de local, a secretária do cônsul ingressou no imóvel e limpou uma mancha de sangue no local onde o cadáver foi encontrado. Ela alegou que limpou ali porque o cachorro estava tendo contato com aquela mancha de sangue”, explicou.

Além dessa mancha de sangue na sala , os investigadores identificaram que alguém no local teria tentado esconder outras evidências do crime.

“Os peritos identificaram no quarto, na fronha onde o casal dormia, manchas de sangue, na fronha, no chão e no banheiro. Esse banheiro era uma suíte e na porta de entrada tinha um baú, uma mobília que havia sido colocada ali, meio que para dificultar o ingresso. Como se a pessoa estivesse numa tentativa desesperada de tentar ocultar elementos que pudesse incriminá-la”, disse a delegada.

“O apartamento estava sujo, mas houve uma tentativa de ocultar indícios. Como se fosse uma tentativa desesperada de dar um jeitinho. Um jeitinho atrapalhado que não conseguiu encobrir a verdade”, completou Camila Lourenço.

“Me perguntaram se poderia ser uma prática sexual. Pode ser, mas não é uma tese que a gente tá abraçando. Não descartamos essa tese porque existem algumas lesões muito singulares, que nos levam a crer que pode ter havido isso”.

Foram apreendidos um porrete e um chicote verde no apartamento do casal.

Traumatismo craniano

Segundo Camila Lourenço, não há dúvidas sobre a causa da morte do belga.

“A causa determinante para a morte foi um traumatismo craniano na região da nuca . Não há dúvidas que a causa da morte foi essa. A ação contundente gerou uma infiltração hemorrágica e essa foi a causa morte. Mas há um contexto que sugere ter havido espancamento”.

“Segundo o perito, algumas das lesões eram recentes e outras mais antigas, o que sugere que ele vinha sendo agredido, que ele vinha sofrendo espancamentos, mais ou menos uns dois dias. Isso pra mim tá claro”.

Relembre o caso

2 de 2 Walter Henri Maximillen Biot e o cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn eram casados havia 23 anos — Foto: Reprodução Walter Henri Maximillen Biot e o cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn eram casados havia 23 anos — Foto: Reprodução

Em seu depoimento à Polícia Civil, o diplomata alemão Uwe Herbert Hahn , lotado no Consulado da Alemanha no Rio, disse que seu marido Walter Henri Maximilien Biot sofreu um mal súbito por volta das 20h da ultima sexta-feira (5) e caiu.

Uwe disse também que o companheiro “tomava pastilhas para dormir” e “bebia muito”.

O cônsul contou que o marido teria entrado em surto e começado a correr em direção ao terraço. Ele disse que o marido tropeçou no carpete e caiu com o rosto no chão e fez alguns barulhos, que ele não sabe informar se seriam gemidos ou dor.

Uwe disse ainda que estava na cozinha preparando uma massa, quando ocorreu a queda e que ele não sabe dizer se o marido bateu com a cabeça em alguma mobília ou no chão.

Em depoimento, o diplomata afirmou que ficou desesperado e chegou a dar um tapa nas nádegas de seu marido para tentar reanimá-lo e que depois foi até a portaria para pedir ajuda ao porteiro, que acionou o Samu.

Os socorristas encontrou o belga já em parada cardiorrespiratória e com lesões no corpo — em especial, uma na cabeça e outra nas nádegas — e não atestou a causa da morte.

O corpo, então, foi levado para o IML, onde foram constatados inúmeros ferimentos na cabeça e no corpo de Biot.

O casal estava junto havia 20 anos, morava em uma cobertura em Ipanema e tinha passaporte diplomático. Walter faria 53 anos no próximo sábado.

Uwe foi preso na noite de sábado (6) e transferido para o presídio de Benfica na manhã de domingo (7).

Também neste domingo, a defesa do cônsul deu entrada em um habeas corpus, mas o pedido foi negado pelo plantão judiciário.