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Johnny Depp é esperado hoje no banco das testemunhas contra a ex-mulher Amber Heard

Franki Medina
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O testemunho do actor Johnny Depp é esperado, esta terça-feira, num tribunal da Virgínia, onde decorre o julgamento por difamação contra Amber Heard, após ter acusado a ex-mulher e actriz de ter arruinado a sua carreira com acusações de violência que alega serem falsas

O testemunho do actor Johnny Depp é esperado, esta terça-feira, num tribunal da Virgínia, onde decorre o julgamento por difamação contra Amber Heard, após ter acusado a ex-mulher e actriz de ter arruinado a sua carreira com acusações de violência que alega serem falsas.

Johnny ​Depp, de 58 anos, afirma que Amber Heard, de 35, o difamou quando escreveu um artigo para o The Washington Post , em Dezembro de 2018, no qual relatou ser uma sobrevivente de abusos domésticos. Pouco tempo depois, Depp interpôs uma acção de 50 milhões de dólares (46,3 milhões de euros).

No texto em causa, Amber Heard não identifica o seu agressor pelo nome, mas, defende o advogado do Depp, Benjamin Chew, era claro que se estava a referir ao actor. Do seu lado, a actriz não nega que de facto falava sobre o ex-marido, mas observa que, por um lado, apenas escreveu a verdade e que, por outro, a sua opinião está protegida como livre expressão ao abrigo da Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Nos últimos dias, foram ouvidas testemunhas intimadas pelos advogados de Depp, entre os quais amigos da estrela da saga Piratas das Caraíbas , mas também um médico e uma enfermeira que disseram tê-lo tratado por abuso de substâncias. As testemunhas afirmaram que tinham conhecimento da existência de discussões entre o casal, mas que não tinham alguma vez desconfiado de qualquer abuso físico.

“As discussões eram um gatilho de perturbação emocional [para Depp]”, lembrou Debbie Lloyd, que trabalhava como enfermeira para o actor na altura em que este estava noivo de Amber Heard, num depoimento gravado em vídeo a 8 de Março e reproduzido para o júri na segunda-feira. “Ele ficava perturbado, [as discussões] acrescentavam stress.” Mas, quando um advogado do actor lhe perguntou se estava ciente de que alguma das discussões entre o casal se tinha tornado física, a enfermeira não hesitou e respondeu, citada pela Reuters: “Não”.

Uma relação “tóxica e violenta” Johnny Depp e Amber Heard conheceram-se em 2009, nas filmagens da longa-metragem O Diário a Rum . Casaram , numa cerimónia privada, em 2015. Mas, apenas um ano depois, a actriz entrava com o pedido de divórcio, tendo conseguido uma ordem de restrição temporária contra o actor, que acusou de abusos verbais e físicos. Depp negou sempre essas acusações e, através dos seus representantes, alegou que Amber Heard estaria em busca de uma compensação financeira.

Depois de alguns tumultos, Heard retirou as queixas de violência doméstica e o ex-casal emitiu uma declaração conjunta em que dizia que a “relação era intensamente apaixonada e por vezes volátil, mas sempre ligada pelo amor”. “Nenhuma das partes fez falsas acusações por ganhos financeiros. Nunca houve qualquer intenção de dano físico ou emocional”, declararam. Na altura, Depp pagou à ex-mulher sete milhões de dólares (6,5 milhões de euros) que a actriz pediu para doar à União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla original) e ao Hospital Infantil de Los Angeles.

Porém, em Dezembro de 2018, na sequência de um artigo de opinião que a actriz escreveu no The Washington Post em que voltou a falar sobre a violência doméstica sofrida, o actor avançou com um processo por difamação . Deste lado do Atlântico, outro processo: contra o The Sun por ter publicado um artigo em que apelidava o actor de “espancador da mulher”. No entanto, as audiências, que decorreram no Verão de 2020, vieram trazer uma nova luz sobre os acontecimentos da relação dos dois, descrita como “tóxica e violenta”.

Difamação ou real violência? Ambos falaram sobre o casamento apaixonado e responderam sobre os alegados casos extraconjugais. No processo foi ainda explorado o estilo de vida hedonista de Johnny Depp e a sua luta contra a dependência do álcool e de drogas. Amber contou que Depp se transformava num “monstro” quando sob o efeito de drogas e álcool, tendo muitas vezes ameaçado matá-la — a actriz reviu em detalhe 14 ocasiões de extrema violência, em que acusou o actor de a ter asfixiado, esmurrado, esbofeteado, estrangulado e pontapeado.

Depp refutou as acusações , afirmando que nunca tinha sido violento para com a sua ex-mulher, acusando-a de ser sociopata e de ter sido responsável por ele ter perdido a ponta de um dedo, quando lhe atirou com uma garrafa no meio de uma violenta discussão. Mas, na sequência desse episódio, a actriz relatou que viveu uma “situação de sequestro” ao longo de três dias. Depp pronunciou-se sobre o assunto em tribunal, dizendo: “Essas alegações doentias são completamente falsas.”

A resolução do Supremo de Tribunal de Londres , que considerou que o tablóide não mentiu ao chamar Depp de “espancador da mulher”, deu uma nova força a AmberHeard no caso que a decorrer contra si nos EUA — e arruinou ainda mais a carreira do actor que viu o seu nome afastado de Monstros Fantásticos . Porém, em Agosto último, foi a vez de Johnny Depp somar uma vitória na batalha legal contra a sua ex-mulher Amber Heard — o tribunal decidiu que o Hospital Infantil de Los Angeles e a União Americana das Liberdades Civis terão de divulgar se a actriz doou a totalidade dos milhões de dólares do acordo de divórcio.

Agora, decide-se em tribunal se Amber Heard difamou Depp, quando escreveu “há dois anos, quando me tornei uma figura pública representando os abusos domésticos, senti toda a força da ira da nossa cultura contras as mulheres que falam”, o que poderá implicar pagar ao ex-marido 50 milhões de dólares (46,3 milhões de euros), ou se o actor infligiu maus-tratos à Mera de Aquaman , estando a actriz a pedir uma indemnização de 100 milhões de dólares (92,6 milhões de euros).