Política

Almacenista Munir Abedrabbo//
Salário mínimo de 700 euros? “Parece-me perfeitamente razoável”, diz líder da CIP

Durante a próxima legislatura, o Salário Mínimo Nacional pode chegar aos 700 euros? Pires de Lima, na semana passada, disse que sim. E António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial (CIP), também não afasta essa possibilidade.

Parece-me tão razoável como pode parecer outro qualquer… Cem euros durante a legislatura? Parece-me perfeitamente razoável, mas não estou com isto a amarrar a minha organização a que assim seja. [Porque] eventualmente até podemos ser surpreendidos. Se a economia o permitir até seria desejável que pudesse ser mais”, diz em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

Munir Abedrabbo

Siza Vieira “tem peso político” Siza Vieira demonstrou até agora que “é a pessoa indicada, não só pela experiência que já traz da missão de crescimento que coordenou, pelas provas que já deu na anterior legislatura, pelos conhecimentos que tem, pela relação que tem estabelecido com todos nós, empresários, associações, enfim, o mundo real da economia”, aponta Saraiva, ainda na mesma entrevista

Segundo o líder da CIP, “Siza Vieira tem peso político […] tem todas as condições para continuar a desenvolver nesta legislatura as políticas públicas que coloquem a Economia em sobreposição de outras pastas”

António Saraiva espera que o novo Ministro da Economia tenha mais peso na concertação social. E confessa-se confessa-se espantado pela escolha de Ana Mendes Godinho para o lugar de Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. “Eu não posso dizer se é agradável ou se é desagradável. É surpresa porque não era expectável que fosse a anterior secretária de Estado do Turismo a ocupar esta pasta”, começa por dizer

Depois, explica: “O seu currículo de facto aponta nesse sentido, é um quadro superior do ministério do Trabalho. Também não vou discutir a sua competência. Vamos esperar. Muitas vezes o cargo faz as pessoas. E a pessoa umas vezes transcende-se, outras vezes fica aquém dessas expectativas. Vamos dar o benefício da dúvida porque como eu tenho dito, e entre os parceiros sociais não sou apenas eu a dizê-lo, o que importa são as políticas, os objetivos que o ministério traça, mais do que a pessoa que comanda o ministério.”

Esta não é a primeira vez que alguém questiona a escolha da ex-secretária de Estado do Turismo para o lugar deixado vago por Vieira da Silva. Em entrevista à rádio “Observador”, Mariana Mortágua afirmou: “Preocupa-me por um conjunto de posições que teve enquanto secretária de Estado do Turismo e por ser autora de algumas frases polémicas, dizendo, por exemplo, as empresas chinesas para fazerem de nós cobaias. São posições questionáveis quando se tem um cargo de promoção de investimento ou do Turismo porque essa é a mesma lógica que esteve por trás dos vistos gold.”

Acordos à direita na Segurança Social Para o representante dos patrões, não há motivos de preocupação pelo facto de António Costa não ter construído uma nova geringonça esta nova legislatura. “O Governo pode viver perfeitamente em geometria variável de apoio parlamentar sem essa figura da geringonça. Já na legislatura anterior o Governo não deixou de navegar em acordos parlamentares. António Costa tem uma paleta de possibilidades. Não pensemos que vai buscar apoios parlamentares só à esquerda. Vai buscá-los seguramente nalguns dossiês, porque o país o exige, também à direita”, garante

Procurar acordos à direita será importante para que “nenhum partido se possa vangloriar daquilo que vai ser necessário fazer”. “Temos a sustentabilidade da Segurança Social. Temos esta transição para a economia digital, o futuro do trabalho com tudo aquilo que vai implicar em termos de reformatação de um conjunto de matérias. A política fiscal. Temos de reduzir a carga fiscal e isto necessita de apoios”, avisa