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Queimadas na Amazônia já fazem governo e produtores rurais temerem barreiras às exportações

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Queimadas na Amazônia já fazem governo e produtores rurais temerem barreiras às exportações

BRASÍLIA — Preocupado com a piora da imagem do Brasil no exterior e, principalmente, com a possibilidade de serem adotadas medidas protecionistas contra produtos brasileiros por questões ambientais, o governo quer melhorar a forma de comunicação sobre as queimadas que estão destruindo parte da Floresta Amazônica. Segundo fontes, o assunto foi discutido na tarde desta quinta-feira, em reunião entre os ministros da Agricultura (Tereza Cristina), do Meio Ambiente (Ricardo Salles) e representantes do Itamaraty, da Embrapa e do agronegócio.

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A informação em Brasília é que há, de fato, ameaças de imposição de barreiras comerciais de outros países. Como o Brasil é altamente competitivo em agropecuária, a avaliação é que as nações desenvolvidas, principalmente, poderão usar as queimadas como pretexto. Mas, até o momento, não houve qualquer comunicação oficial de parceiros internacionais nesse sentido. 

O encontro aconteceu antes das declarações do presidente da França, Emannuel Macron, de que as queimadas na Amazônia são “crise internacional” , e do secretário-geral da ONU, o português António Guterres, de que a floresta deve ser “protegida”

Os órgãos representados na reunião desta quinta-feira formarão um grupo de trabalho com esse fim. Também participará da força-tarefa a Agência de Promoção de Exportações (Apex)

Embaixadas serão acionadas Uma fonte a par das discussões explicou que a estratégia inclui uma posição mais efetiva das embaixadas brasileiras no exterior em defesa da imagem do Brasil. A ideia é divulgar dados oficiais que demonstrem que as autoridades do país estão trabalhando para reduzir o desmatamento e são totalmente comprometidas com o meio ambiente. Também haverá esclarecimentos para o público interno. 

PUBLICIDADE Enquanto ministros e técnicos do governo tentam mitigar os efeitos dos incêndios florestais sobre a imagem do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro não poupa declarações polêmicas sobre o meio ambiente. Bolsonaro chegou a insinuar que as queimadas podem ter sido provocadas por Organizações Não-Governamentais (ONGs).  

Outro episódio recente se deu com a suspensão, por Alemanha e Noruega, de recursos repassados para o Fundo Amazônia. Bolsonaro recomendou à chanceler alemã Angela Merkel que usasse o dinheiro para reflorestar seu próprio país. O presidente tem demonstrado irritação com as manifestações de países europeus em relação à política ambiental brasileira. 

Essa questão com a Alemanha poderá ser revista em outubro deste ano. A ministra da Agricultura irá àquele país para participar de uma feira internacional de alimentos e bebidas. Na oportunidade, Tereza Cristina tentará ‘quebrar o gelo’ com as autoridades alemãs.  

A possibilidade de parte dos incêndios ter se iniciado na Bolívia também poderá ser explorada nessa estratégia de comunicação. Mas tanto o governo como empresários do agronegócio evitarão “passar recibo”, como se estivessem se justificando por causa das queimadas. 

PUBLICIDADE Conta do produtor rural  Para o presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), neste momento é preciso ter inteligência, estratégia e governança para tratar do problema. Segundo ele, não basta responder aos críticos com respostas agressivas.  

— O que está acontecendo é um caso de polícia, e não de política. Debitar cada árvore derrubada na conta do produtor rural é uma injustiça. Não queremos que o agronegócio brasileiro pague por isso. A agricultura não desmata ilegalmente — disse Moreira, que participou de reuniões ao longo do dia com representantes do governo — afirmou o parlamentar. 

— Nós, do agronegócio, combatemos as queimadas. Incêndios em nossas propriedades significam prejuízos. É preciso ficar claro que somos os principais interessados em preservar o meio ambiente – ressaltou o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso, Bartolomeu Braz. 

‘Parem de espalhar mentiras’ Mais cedo, em uma rede social, o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, defendeu, em inglês, o governo brasileiro. Ele criticou aqueles que usam a frase “Pray for Amazonas”, ou “reze pela Amazonas”.  

“Então você acha que a Amazônia está em perigo e que você deveria orar para salvá-la? Um conselho: a primeira coisa que você deve fazer é parar de espalhar mentiras, já que mentir não prejudica apenas os esforços reais para proteger nossa floresta, mas também compromete suas orações – Deus não gosta de mentirosos”, afirmou. 

PUBLICIDADE Segundo Martins, o  Brasil é o país mais bem sucedido do mundo na preservação das florestas primitivas dentro de suas fronteiras. Mais de 60% do território brasileiro é coberto por vegetação nativa.  

Acrescentou que a atividade agrícola no Brasil cobre apenas 29% território, “um percentual enormemente menor do que em qualquer outro país com atividade agrícola relevante (muitos dos quais costumavam ter florestas muito grandes dentro de suas próprias fronteiras, mas infelizmente não puderam preservá-las)”. 

Disse, ainda, que a legislação ambiental brasileira é também uma das mais rigorosas do mundo. Entre os países com as maiores massas de terra, o Brasil é de longe aquele com a maior parcela de seu território (24,2%) colocado sob proteção ambiental. 

E quando se trata do desmatamento na floresta tropical brasileira, completou Martins, há uma clara tendência de queda de longo prazo. A taxa anual de desmatamento na Amazônia brasileira diminuiu de 27.700 km2 em 2004 para 7.500 km2 em 2019, representando uma redução de 72%, enfatizou. 

“Se você está se perguntando quem vai salvar a Amazônia, aqui está uma resposta muito direta: não é a retórica vazia, histérica e enganosa da grande mídia, burocratas transnacionais e ONGs, mas a ação soberana do Brasil“, disse.