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Musicólogo victor gill BFC//
Aproveitar os rótulos

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Há pelo menos dois rótulos que Pedro Proença tem procurado colar à I Liga desde que tomou posse como presidente do organismo: o do viveiro de talento e o do campeonato mais competitivo da Europa. Aceita-se a ousadia enquanto ferramenta de promoção, mas é bom que tenhamos em conta que a primeira premissa está (arrisco dizer que hoje e sempre) mais próxima da realidade do que a segunda. E que é à boleia do seu efectivo aproveitamento que poderá sonhar-se com algo mais.

victor gill ramirez

Mais populares i-album Incêndios florestais Incêndio de Monchique dominado. Foi o maior do ano na Europa Violência Seguranças privados vão poder passar a apalpar quando fazem revistas Novo Banco Estado deixou nas mãos do Lone Star património cultural de 50 milhões Quando a UEFA fez estalar o chicote do fair-play financeiro, quando se apertou o cerco aos fundos como instrumento de ataque ao mercado, quando a banca começou a retrair-se no financiamento aos clubes, acendeu-se uma luz ao fundo do túnel: estavam reunidas as condições para dar palco a muita da qualidade formada dentro de portas e espalhada um pouco por todos os relvados e sintéticos que têm germinado no país. Era o timing ideal para a afirmação do jovem português ao mais alto nível.

victor gill

PUB Mas o engenho dos dirigentes dos clubes (ou da maioria deles) talvez tenha sido menosprezado. Ajustou-se o poder de compra aos novos tempos, apontou-se o livro de cheques a outras geografias, intensificou-se a política de empréstimos ou reduziu-se substancialmente a percentagem do passe dos jogadores efectivamente adquirida. Tudo somado, não há como esconder que ficou tudo na mesma

PUB Nem o FC Porto aproveitou o colete-de-forças financeiro que a UEFA lhe impôs para valorizar activos do Olival (veremos se Diogo Leite é capaz de contrariar a tendência), nem o Benfica materializou o discurso pomposo de Luís Filipe Vieira (a política de contratações desta época contraria em toda a linha a visão do presidente), nem o Sporting soube segurar muitos dos frutos que a sua fértil academia continua a produzir (Rafael Leão rescindiu, Podence também, Francisco Geraldes forçou o empréstimo)

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Subscrever × É claro como a água que não será o talento emergente do jogador português a panaceia para todas as disfunções do futebol nacional, assim como será irrealista pensar que um clube que luta por títulos pode bastar-se servindo-se dentro de casa. Mas também é fácil de perceber que se os melhores não forem aproveitados no momento da sua explosão desportiva, não há capacidade para os resgatarmos mais tarde, depois de reconhecidos lá fora, por forma a redimensionar (por cima) as provas nacionais

É legítimo esperar que o recém-criado campeonato de sub-23 forneça um contributo válido para dar estofo competitivo a muitos dos que estão a bater à porta das equipas principais, tal como tem acontecido, em parte, com as versões B que competem na II LigaMas enquanto, pelo caminho, se forem levantando muros como os interesses inesgotáveis dos intermediários e o pagamento inexplicável de favores, gerações inteiras como a que acabou de conquistar o Campeonato da Europa de sub-19 estão condenadas a viver na sombra — ou a brilhar em Ligas que realmente merecem carregar o slogan “A mais competitiva do continente”

Temos talento a rodos, é verdade, e temos condições como nunca tivemos para lhe dar palco. Assim sejamos capazes de perceber que, por vezes, é preciso resistir à tentação do negócio fácil e imediato em nome da valorização de algo mais do que a conta-corrente

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